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Tecnologia ajuda no tratamento do autismo

O software usa como base três métodos já aplicados no tratamento de autistas: o PECS (Sistema de Comunicação por Figuras), o ABA (Análise Comportamental Aplicada) e  o TEACCH (Programa de intervenção ensino estruturado). Por meio do Microsoft Kinect, que reconhece o movimento do corpo, a pessoa interage com o jogo, que é colorido e lúdico. Ali é possível testar movimentos e a capacidade cognitiva. Todos os resultados, assim como áudio e vídeo, são encaminhados por e-mail para os médicos, que conseguem acompanhar o desenvolvimento do paciente. “Geralmente, cada clínica usa um dos três métodos de tratamento. Criamos um sistema em que os três podem ser usados ao mesmo tempo”, explica Eraldo, criador do software.

Eraldo Guerra buscava um tema para sua dissertação de mestrado em Engenharia de Software quando viu um vídeo de uma menina autista que virou exemplo de superação. Encantou-se com o assunto e resolveu focar energias do seu estudo para ajudar no tratamento de pessoas com essa disfunção cerebral que afeta a capacidade de comunicação, socialização e aprendizado. Nasceu a ideia do Can Game, um programa que já está auxiliando crianças com autismo e é um dos projetos inscritos no concurso Samsung Launching People – Revelando Talentos. “Eu queria que meu projeto de mestrado fosse útil para as pessoas. Em vez de ser só mais um artigo acadêmico, queria que deixasse algum legado”, lembra Eraldo, professor de Recife. O primeiro passo foi mergulhar no mundo dos autistas, entender bem do assunto. Depois de muita pesquisa, entrevistas e leitura, Eraldo decidiu criar um jogo para que as crianças interagissem com o computador e assim, tivessem avanços na aprendizagem e socialização. No ano passado, ele levou a proposta aos alunos do ensino médio da Escola Técnica Estadual Professor Agamemnon Magalhães, onde dá aula de Empreendedorismo. Em equipe, eles desenvolveram o game.
Jogo já é testado
O Can Game já é testado há seis meses com 50 crianças em uma clínica de Recife. O sistema vem passando por adequações permanentes a pedido dos médicos, mas os primeiros resultados são considerados satisfatórios, diz o professor.
“Ainda estamos no começo, mas acreditamos que o programa pode ajudar muito no tratamento do autismo”. A esperança de Eraldo é conseguir recursos para fazer o Can Game avançar. Se o projeto crescer e o software for comercializado, ele quer dividir os resultados. A proposta dele é que a cada três equipamentos vendidos, um seja doado para entidades com poucas condições financeiras.
O projeto ainda prevê a criação de plugins que possam ser desenvolvidos conforme as necessidades de cada pessoa, a partir das observações específicas da equipe responsável pelo tratamento. Não existem dados oficiais sobre o número de pessoas com autismo no Brasil, mas estima-se que uma a cada 50 crianças tenha a disfunção cerebral. O tratamento dos casos diagnosticados geralmente é lento e caro, mas costuma dar ótimos resultados. O projeto de Eraldo pode ser mais uma ferramenta para ajudar essas pessoas

 

 

Fonte: G1